quinta-feira, 24 de outubro de 2013

NA PIMENTA

Essa é a entrevista que podemos chamar de "entrevista ejaculação precoce". Foi uma rapidinha. Ela me enviou as perguntas, e eu prontamente fui respondendo. Sem revisar, sem ponderar, fui no instinto, assim como quem transa sem camisinha com uma desconhecida. Mas não sou desses. Sou um homem de família. Família das Piperáceas, é verdade, mas ainda assim, de uma família.
Por fim, foi bom pra mim ;)
Relaxa e gosta ?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

MANIFESTO ANTROPOTRÁGICO (Narciso às avessas)

O feio te chama de feio e manda tu ser bonito
O gordo te grita de longe que gordo não é bonito
Pobre acredita que sucesso é ser rico
e que com dinheiro qualquer um é bonito
Pobre acha que pobre bom é pobre morto e nu
Gay riu que vc deu pinta e ri que todo mundo dá cu

O baixo se auto-rebaixou,
Frajola se autoflagelou
O alto-falante falou , vc acreditou
Não questionou, só decorou
O sujo falando do mal lavado
O banguela do desdentado

O índio Dakota do sul, sem terra, sem cota
flecha o negro com cota, sem teto, sem conta
O negro alvo desconta
no cara pálida mendigo delinquente Tarantino.
O branco
50% negro, 50% índio
Se acha o mais lindo
E todos vão indo
Se divertir num piquenique-genocídio

Manifesto "antropotrágico"
Americans are now
Hannibal Lecter de viadagem
churrasco na laje sem sal
em pleno carnaval

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ENTRE VISTA RE VISTA




01 - Só para relembrar ao público... Como você despertou que atuar era seu maior desejo? Como descobriu o seu talento de interpretar outras pessoas?

Se puder relembrar pra mim também seria útil (risos). Não creio que esse seja o meu maior desejo, eu acho que o que busco é defender ideias que acredito, ou divagações, que vão se metamorfoseando diariamente, tentar expressá-las de maneira criativa e provocar algo nos outros. Isso pode ser feito de diversas formas. Atuar é uma delas. Me dá muito prazer, mas não só ela. Escrever me dá esse prazer, compor, cantar, tocar, pintar, dançar, politizar, debater, conversar, enfim, muitas formas, tamanhos e posições.   Já tive até blog de quadrinhos. Chamava "umore nero" (em italiano, humor negro). Era horrível, mas eu adorava (risos). Autoterapia pura.
Em relação ao "talento" de interpretar outras pessoas, é uma dúvida perene que me cerca, e acho que deve ser assim com qualquer arte que eu venha desempenhar, pois a dúvida me faz buscar. Sou uma cara curioso e gosto de aprender. Não sei de fato o que seja atuar, e duvido quem diz saber claramente, pois não se trata de interpretar outra pessoa, pois ali não existe outra pessoa, existe uma, mas com milhões de referências e possibilidades de ser quem quiser ser, ou estar.




02 - Como se dá o processo de memorização dos textos? Alguma regra básica?

Sempre vai depender de cada processo e dos profissionais envolvidos. Penso que existem textos que não precisam ser reproduzidos Ipsis litteris. Entendemos a linha de raciocínio, guardamos a base, e é dito de uma forma que o ator-personagem vista-o melhor. "Azeitamos" o texto. É o que acontece, na maioria das vezes, em novela, que se trabalha com a "urgência". Já outros textos precisam, ou deveriam ser ditos "tal e qual", e aí, obviamente depois de compreendê-lo profundamente, o jeito é repetir, repetir, repetir exaustivamente. Esse é o meu processo. Chega um momento que não tem escapatória. É como se tocar um instrumento. Repetição, repetição, repetição puramente mecânica. Existe o primeiro momento intelectual, mas em algum momento teremos que passar pelo trabalho braçal. Pra mim o processo mais profundo, transformador, prazeroso e eficaz é quando nos tornamos co-autores do que é dito e feito ali, e quando o texto, depois de tantas discussões, leituras e ensaios, o apreendemos como que por osmose. Pode parecer estranho para um artista de palco, mas sempre tive muito mais prazer no processo de ensaio do que nas apresentações. 






03 - É frustrante para o ator quando o público não alcança a mensagem que você quer passar ou para você cumprindo seu dever e atuando da melhor forma já é satisfatório? Até que ponto a interação com o público te toca?

Eu só compreendo "interação" no teatro ou numa apresentação ao vivo. Essa influência recíproca de dois ou mais elementos só é possível ali, no presente, no momento em que ambos, público e platéia, estejam vivendo a mesma coisa no mesmo instante. Qualquer outro veículo tem o seu efeito retardado, e não o compreendo como interação. Quando alguém ouve um disco ou vê um filme o que está ali é a obra do artista, mas não o artista em si. Não tem como ele interagir.
Já em relação a alcançar ou não o público, antes de tudo teríamos que definir o que é "público". Quem é o "público"?. Tenho pensado nisso exaustivamente, e chego a certas conclusões que, devido a diversificação de mídias, meios, estéticas, hoje não existe mais "um público". Público seria só número de gente? É só isso que queremos dizer? Então é um trabalho matemático. Cheio ou vazio. Ibope alto ou baixo, ponto final. E aí, matematicamente vc define o seu "sucesso ou fracasso". Mas a mim interessa mais que isso. Me interessa saber se essa gente é cheia ou vazia, e isso não se tem resposta na matemática das coisas. Hoje podemos todos dizer mais claramente o que seria o "seu público". "Seu público" são aqueles que compartilham de suas ideias, ideais, que compreendem sua linguagem, mesmo que eventualmente discordem de uma coisa ou outra, mas a identificação é fundamental. Sei que quando diz público, está se referindo ao "grande público", o "público de massa", pois hoje estou ator de TV. Claro, a TV visa diretamente agradar o público, afinal ela é um mecanismo publicitário, e quando trabalho para a TV é isso que tento fazer. Essa é a minha função ali, mas em relação aos meus projetos eu não sei falar de público de massa. Não sei o que é isso fora de uma planilha. Compreendo público podendo ser uma, duas, três, dez, cem, mil, milhões de pessoas. A sua satisfação artística não vai mudar em nada, só sua conta bancária (risos). Está tão intrínseco na gente pensar que sucesso é sinônimo de casa cheia, vendas, etc...que faz com que algumas pessoas pensem, quando digo isso, que desprezo o público, que não quero minhas salas de teatro e cinema cheias, nem vender discos, e não é nada disso. Inegável que é prazeroso agradar o outro e ganhar dinheiro, afinal artista não vive de brisa, amor ou inspiração. Meu trabalho é sim, árduo e difícil. Requer tempo para maturação, dedicação, técnica e mais um monte de coisas que não se aprendem em uma universidade. Mereço receber um bom dinheiro por isso, mas não é só isso que me move. Parte desse pensamento é de um sistema educacional que desvaloriza as ciências humanas e a filosofia em prol do conhecimento exato e tecnológico. Eu apenas não faço meu trabalho pensando nos resultados numéricos. Acredito que o trabalho do artista também seja, eventualmente, "desagradar". Vc sempre estará desagradando uma parcela. Sempre! Eventualmente "frustar" o público pode significar trazer novidades, não se acomodar na mesmice, ou até mesmo mostrar-lhes algo que eles não tinham ou não queriam ver. Vc mesmo querendo "agradar" sempre irá desagradar alguém, e o inverso fatalmente também acontece. Desdizendo algumas estampas de camisetas: Nada, nunca, é 100% (risos). 
Definitivamente o que quero dizer é que não é o número de gente que irá definir pra mim se isso ou aquilo é sucesso ou não.






04 - Você parece ter um jeito peculiar de expor suas opiniões, às vezes ácido, às vezes sarcástico, mas sempre perspicaz e com doses de humor. Concorda? (risos)

Não falo inglês, mas falo acidez (risos). Eu tento falar com o "meu público". E quem é? Não sei, mas quero crer que sejam pessoas que entendem o que falo e onde pretendo chegar com o que digo e faço. Falar do sério brincando. Brincando seriamente. Usar o humor para mostrar o trágico, e o trágico para fazer humor. É pra ser agridoce. O mestre Domingos Oliveira me disse uma vez "Vc tem humor afiado. Não perca ele quando for falar das coisas". Humor é algo muito subjetivo. Pode ser engraçado pra um, e não pra outro. Aliás, virou moda agora que humor é só o que se faz rir. Não é! É importante que se diga que humor não comporta só "bom" humor. O "mau" humor é o seu complemento. Poesia não se faz somente falando de flores. É preciso meter a mão no esterco pra tirar palavras. Assim é com humor. Humor não é feito só pra gargalhar. Como poesia não é feita só pra ser linda e nem música só pra animar a festa. Tem vezes que não se ri, nem por isso deixa de ser humor. Nem toda rima é poesia, nem todo samba é pra dançar. Mania de falarem da arte apenas como algo belo, leve ou doce. Algo que serve apenas para "aliviar a vida dura". A arte deve também ser terrível quando solicitada. Quando o piá apronta, a mãe alerta: "-Já tá fazendo arte!". É isso! "Mães" temem a arte, por que arte é desobediente, incomoda. A arte ataca! Arte não é cordeiro, arte é predador! O Artista é um deformador de opinião. 






07 - Autoestima é tudo? Ou a opinião alheia tem lá sua importância?
Autoestima, autocrítica e automóvel: É preciso manter os 3 calibrados pra se manter equilibrado. Pronto, é um "provérbio chinês" que acabei de inventar (risos). 
Minha autocrítica é cruel. Nenhum crítico  ainda conseguiu ser pior comigo do que eu mesmo (risos). Claro que é preciso ter autoestima o suficiente para não se importar o tempo todo com os que os outros dizem, pois muitos querem o seu fracasso. Mesmo quem o ama, às vezes, sem perceber e sem maldade, quer o seu fracasso. Mas é preciso ponderar vez ou outra. Ouvir os amigos, colegas, os mestres, pra depois filtrar e aplicar o que vc tira disso, mas acima de tudo, ir onde vc deseja ir.






08 - Você passa uma imagem de que é muito seguro de sí. Verdade? E o que te tira do eixo?

Tudo fachada (risos). Eu sou tímido, mas me faço de sem-vergonha. Eu sou fofo, mas quero "manter minha fama de mau" (risos). Eu sou muito inseguro do que faço, e isso é muito importante pro meu ofício. Não trabalho com o que é exato. Eu falo do nada, do vazio. Tento explicar o inexplicável, ou melhor ainda, confundir ainda mais o explicável, por isso não posso ter certezas, aliás, costumo não me dar bem com pessoas que tem certeza das coisas, mas claro, preciso ter segurança o suficiente para expor o que acredito na minha arte. É como disse acima, equilíbrio, e não tenho nada de mestre zen, muito pelo contrário (risos). 
Já deu pra ver o que me tira do eixo. Meu ofício já é coisa suficiente para tirar dez vidas do eixo (risos). Na verdade sou ótimo na teoria de como viver bem, mas na prática ... Estou mais pra bêbado que pra equilibrista (risos)




09 - Em suas músicas você brinca com as palavras, com as combinações entre elas, com os duplos sentidos, com as possibilidades, dando a certeza que tem um domínio sobre a língua portuguesa. Essa habilidade vem de muito estudo? Leitura?
Aprendi lendo Leminski que palavra é brinquedo. Quando era jovenzinho debrucei muito nos concretistas e poetas contemporâneos. Daí vem esse vício maldito (risos). Essas brincadeiras com as palavras vem também da minha incompetência e desrespeito da língua. Por muitas vezes escrever a palavra de maneira "errada", como dita a regra da academia brasileira de letras, seja sem querer ou por ignorância mesmo, nos torna descobridores dela. Não saber o "certo", ou o que o academicismo nos entrega pronto como certo, por vezes nos trás outros desdobramentos. E outras vezes é preciso, mesmo sabendo, não se apegar a essas regras gramaticais, nessa ditadura do escrever "certo". Muitas vezes o mais interessante está no erro, no tropeço. Sou do time do Patativa do Assaré que dizia: " É melhor escrever errado a coisa certa, do que escrever certo a coisa errada".






10 - Você é do tipo que filosofa muito? Reflete sobre a vida, pessoas, coisas? Ou vai vivendo o momento sem pensar muito no depois?Essa entrevista já tá enorme...imagina se filosofo muito (risos). Mas, infelizmente pra mim, meus pensamentos filosóficos são de uma limitação intelectual gigantesca. Não fui, nem sou, um devorador de livros. Sou um feroz consumidor da sabedoria alheia. Todos os meus amigos são mais cultos, inteligentes e talentosos do que eu. Por hora sou um farsante, um plagiador, mediano, um medíocre, e às vezes, mesmo que muito esporadicamente, também consigo algo perto brilhante.




11 - Falando em provocação... quando você quer provocar uma mulher, que armas usa? Pode contar?
Jogar ela numa liquidação de sapatos sem cartão de crédito? (risos)
Sedução é um jogo, por isso vai depender de cada situação. É xadrez sem vencedor ou perdedor. É xadrez. Tem vezes que acaba mesmo na cadeia (risos).





12 - O que torna uma mulher encantadora aos seus olhos?
Nada melhor que um sorriso doce, singelo e sincero... Uma boa bunda e peitos são legais também (risos)


13 - E o que elas fazem que te provoca?
Existem. 


14 - O que não sabemos sobre as mulheres? Você já descobriu?
O que sei delas é que a mulher é um ser humano do sexo feminino. Se distingue do homem por ter útero, óvulo, canal vaginal, vulva e seios proeminentes. Apresentam em suas células somáticas um número par de cromossomos do tipo XX, gostam de bolsas, sapatos, chocolate, homens que "tem pegada", dar risada, acreditam em pesquisas, lêem "50 tons de cinza", sempre precisam perder uns 2 quilinhos, sonham em casar, ter filhos e se sentir protegidas. Esse é o pensamento do homem médio. É o que os homens quiseram e querem que elas pensem sobre elas mesmas, e o pior, eles conseguiram. Cabe a elas querer mudar isso, mas isso tem um preço. É alto e não se aceita cartão (risos). Salvo algumas raras exceções, as mulheres modernas continuam querendo homens antigos. É mais confortável. 
Ah, e sei também que elas vão odiar essa resposta (risos).



15 - Você passou 10 anos casado. Atualmente está namorando. O que é mais difícil em um relacionamento? Concorda que a rotina corrói uma relação?

"Vc quer casar?" Uma parcela da imprensa, que visa o público de massa, vive perguntando isso aos artistas. "Quer casar?". Que pergunta é essa? Seria o mesmo que perguntar "Quer esse carro?; "Quer viajar?; "Quer essa casa?". Sempre me sinto uma mulher virgem e indefesa do século XVII quando me perguntam isso. Já passou da hora de compreendermos o casamento como consequência e não como um objetivo. Talvez por isso seja muito casamento para pouco amor.
O mais difícil em um relacionamento é se relacionar (risos). Quando penso em relacionamento não é só o que entendemos e convencionamos como romântico-amoroso entre cônjuges. Nos relacionamos com qualquer pessoa ao nosso redor. Pai, mãe, irmão, amigo, colega, trabalho, escola, vizinho, clube, rua. É, inevitavelmente, ter que dividir espaço e ponto de vista, e isso é muito difícil. Quanto a "relação que corrói" tenho dúvidas se é a rotina ou o tempo. O tempo corrói tudo. Ferro, madeira, aço, pele, osso, plástico, até memória, e por que seria diferente com sentimentos? Temos dificuldade em aceitar o desgaste das coisas, os fins. O exemplo disso é a vida pós-morte. É necessário que pensemos que isso exista para que nos sintamos importantes. As coisas acabam, e deveríamos aceitar isso com naturalidade, mas não aceitamos.


16 - Depois dos 40 você ficou mais vaidoso? 

Depois dos 40 vc percebe o peso da responsabilidade. Esse peso varia de 3 a 6 quilos, e se concentra basicamente na faixa abdominal (risos). 
Tenho me percebido menos vaidoso depois dos 40 do que aos 20. Isso se deve ao fato, talvez, de que aos 40 vc se sinta menos cobrado por si mesmo que aos 20, afinal, já fez e já se provou muito. Em compensação, por esse mesmo motivo, vc pensa que já pode se achar no direito de ter mais respeito que pessoas de 20.
Eu estaria sendo hipócrita e patologicamente vaidoso se não me reconhecesse ainda bastante vaidoso. Os vaidosos odeiam ser descobertos vaidosos, só demonstram virtude, afinal é por isso que são estimados (risos). Não há nada que os vaidosos detestem mais do que serem considerados vaidosos. "Os vaidosos". Sempre tratamos como "eles" e nunca "nós". Eu nunca em minha vida presenciei uma pessoa com ausência total de vaidade, portanto, vou tratar como "nós, os vaidosos". Soube esse dias que a psicologia infantil tem incentivado aos pais a aplaudir e elogiar o cocô das suas crianças, para evitar que tenham futuramente problemas como prisão de ventre, e outros. Isso inclui falar que o cocô do "seu bebê" é lindão e cheiroso. Viu? Desde criança já precisamos do aplauso e do elogio para fazermos algo, mesmo que sejam aplausos falsos (risos). Já imagino todos aqueles desenhos de cocô feito pela criança e os pais pendurando com imã na geladeira. Pais elogiando merda dos filhos. Podemos aguardar muitos artistas dessa geração? (risos)
Nossa vaidade pode se encontrar em lugares pouco prováveis, como na feiura, por exemplo. Pessoas que enaltecem esse fato para serem vistas aos olhos dos outros como alguém que se importa pouco com a beleza, com a "parte externa", e por isso virtuosos. Ou o belo que pretende ficar feio sazonalmente para demonstrar aos outros que a beleza pra ele também não lhe é importante. É o caso do ator muito bonito, quando se faz feio num personagem. É preciso que notem ele feio, senão ele não chegou no seu objetivo de "desmerecer", perante os outros, a sua própria beleza e assim ser um virtuoso. É tudo falácia. Todos queremos ser chamados de bonito. Só o bonito quer ser reconhecidos como inteligente (risos). Fazer o bem, ser inteligente, promovido, ganhar dinheiro, ser interessante, tudo isso pra nós só é importante se for notado pelos outros. Ninguém é herói em segredo. Nós, os vaidosos, gostamos do aplauso, de prêmios e elogios. As redes sociais estão aí pra isso, para facilitar esse trabalho. Será que vão achar essa resposta genial? (risos)

 



17 - Depois de personagens tão diferentes, se sente satisfeito com a repercussão dos seus personagens? Tem se sentido realizado profissionalmente?
Como disse, tenho tido sorte na TV. Tenho pego bons personagens, mas sempre esperamos ir além, transcender, ir para lugares ainda inabitados conscientemente por nós. Ainda falta muito pra que eu me sinta realizado como ator de uma maneira geral.



18 - Depois das novelas, volta para a música? Quais seus planos para a carreira de cantor?
Eu não volto pra música pois nunca deixei de fazer música. Lancei disco, músicas, clipes, fiz shows, e fim do ano lanço o filme-DVD sobre meu último cd, VENDO AMOR. 
As pessoas tem necessidade de colocar as coisas em locais separados nas "prateleiras" para que elas consigam entender e nomeá-las. É como quando perguntam "- Que tipo de música vc faz?". A vontade é dizer "Uma música que consiste em combinar sons" (risos). Acabo imaginando que depois de uma resposta dessas, minha música só pode ser "Música Impopular Brasileira" (risos). Música é música, e eu posso e quero fazer todo o tipo dela. 
É algo curioso como o público no Brasil tem dificuldade de compreender essas "misturas" de habilidades. Dificuldade de compreender um humorista quando faz drama. Um ator dramático fazer humor. Vejo esses exemplos diariamente. Antes de fazer TV, em Curitiba, eu vivia basicamente de música. Era dela que vinha minha principal sobrevivência. Lá, pouquíssimas pessoas me enxergavam como ator. Pra elas eu era um "músico que atuava". Hoje, na TV como ator, percebo que isso mudou drasticamente. A maioria das pessoas que me conheceram através da TV, quando conhecem meu trabalho musical, me consideram um "ator que canta". As coisas se inverteram. Somos sugestionáveis. A TV trouxe a impressão para essas pessoas, que todos os meus discos, shows, trilhas, direções musicais...enfim, aquilo tudo que fiz a minha vida toda, fosse apenas um "passatempo". Que o disco de um artista que toque na rádio, mesmo que com grandes limites técnicos e artísticos, possa ser digno de carregar o título de músico mais do que eu, que pra ele, sou "ator". O que também quer dizer que eu, atuando na TV, serei, para essas mesmas pessoas, um ator, mesmo que isso signifique um ator medíocre. Essas "gavetas" servem apenas para os sindicatos. Se nos colocam nas "gavetas" cabe ao artista sair delas, mesmo sabendo que são quentinhas e acolhedoras (risos). Pra mim o músico, assim como ator, o poeta, ou o que quer eu faça ou deseje fazer, nunca foram pessoas diferentes. Quando atuo penso música, quando canto estou atuando, quando escrevo atuo e canto, enfim, é tudo uma coisa só. Esse "apartheid" nunca foi adotado por mim.



19 - Quem é Alexandre Nero? Quem ele quer ser quando crescer? (risos)

Alexandre Nero sou eu. Eu sou uma contradição (risos). Sou único. Contrariando a máxima, que deve ter sido inventada por alguma multinacional que despreza o afeto e só visa lucro. Para quem me ama eu sou insubstituível sim. É assim que a pessoas que amo são pra mim. Insubstituíveis. Com todos os seus defeitos, e 2 ou 3 qualidades (risos).
Quem eu quero ser quando crescer? Aquele senhor gordo e velho, que não se importa em ser gordo e velho, e que fica sentado numa pracinha gritando com as crianças, passando rasteira nos jovens e jogando conversa dentro.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Garotos prodígios e as crenças no inexplicável que os acompanham


Muitos povos na história da humanidade já chamaram o trovão de "Deus", por que não sabiam explicar aquilo. Hoje qualquer criança aprende no colégio como ocorre esse fenômeno da natureza. 
Um vídeo que já virou hit pela internet (ao lado da vaca que canta, e do peido musical) me instigou a escrever esse post. Um japonezinho tocando piano para o pai (que gravou o video, e provavelmente o postou na internet). É impressionante o que o garoto de 4-5 anos faz? É! Sem dúvida alguma, mesmo com anos e anos de estudos pesados a maioria dos homens nesse planeta não conseguiriam tocar como ele. E muito provavelmente por esse motivo já li coisas do tipo "ele é um deus", "é a reencarnação de Mozart", "é um ET", "um robô" (de um japonês nunca duvide disso, rs) etc...
Nunca se teve tanta "criança prodígio" no mundo. Pelo menos não sabíamos de tantas antes do Youtube. Esse garoto não é mais uma exceção, um vídeo que fugisse da regra geral talvez fossem crianças brincando na rua, mas um garoto cantando, tocando ou dançando com destreza não é mais novidade, basta navegar nesse site e vc encontrará muitas outras "crianças prodígios". Talvez um dos diferencias do garoto seja que ele não é só técnica e velocidade, tem ali também dinâmica e até uma interpretação sobre a peça musical, e ele parece se divertir de verdade, o que raramente se vê nessas crianças e que, pra mim, é fundamental no "fazer arte" (não a toa o termo que as mães tanto usam). Mas eu gosto de procurar chifre em ovnão....pêlo em cabeça de caval...... Enfim, vcs entenderam. 
Não quero aqui dizer que ele não pode ser nada dessas suposições acima. Ele pode até mesmo ser um aplicativo que se compra a 19,99 dólares na App Store, mas quero pensar um pouco mais sobre isso antes de chegar num veredicto.  
Eu vi ali um menino com um talento impressionante! Muito bem. O que EU entendo por TALENTO. O que alguns chamam de "dedo divino", "toque de deus" (parem de pensar piadinhas de duplo sentido e se concentrem no que quero dizer, pô), eu prefiro chamar de APTIDÃO. "Talento" acaba sendo usado para explicar algo "divino", e "aptidão" parece ser menos, pois é usado para quem tem extrema facilidade para algo. Ambos, pra mim, são a mesma coisa, mas prefiro essa nomenclatura, pois só chamamos de "talento" quando é algo envolvido nas artes. Quando o assunto é corrida de 100 metros rasos, faxina da casa ou datilografia usamos "aptidão".
O menino emociona quem ouve, mas não nos perguntamos se é o menino ou se é a música. De quem são as peças que ele toca? E se ele estivesse tocando com extrema habilidade "prepara, agora, é hora do show das poderosas", ficaríamos tão emocionados? 
Fiquei vendo aquele garoto e (justamente por ser garoto) pensei: "E se ele estivesse jogando um videogame?", será que ficaríamos tão tocados assim? Pois se ele jogasse, com essa gigantesca habilidade um videogame ele também teria um talento impressionante. Mas será que chamaríamos ele de "reencarnação de sei lá o que"? Será que seria um "deus"? Ou seria "coisa do diabo"? (Pois vos digo, se eu sou o diabo, certamente me apresentaria como um garoto de 5 anos, gracioso e com uma habilidade impressionante para a arte mais popular do mundo, e NUNCA como um político fascista de bigode e corrupto, rs).
Esse post não é pra convencer ninguém que o garoto não é talentoso ou que ele não possa ser a reencarnação do que quer que seja. Tudo pode, afinal outro homem com grande aptidão em escrever já disse em Hamlet: "Há mais coisas entre o céu e a Terra do supõe nossa vã Filosofia."
...
...
... Aliás, até hoje não entendi por que não abriram uma empresa de aluguel de Vans com o nome de "Filosofia".
Empresa "Van Halen" eu sei que já existe ;)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O CENSO DE HUMOR

A célebre foto de Art Shay, de 1952, com a escritora, filósofa existencialista e feminista francesa Simone de Beauvoir nua de costas num banheiro, foi removida várias vezes do site Facebook, no Brasil, por ser considerada "abuso" e/ou "material pornográfico". São removidas porque pessoas acusam e denunciam a página por considerá-las "ofensivas". Pelo mesmo motivo já foram denunciadas, e por isso, bloqueadas pelo site, páginas que postaram mães amamentando. 
Alexandre Pires já foi acusado de racismo por colocar pessoas fantasiadas de macaco num clipe; 
Ronaldo Fraga foi acusado de racismo por ter usado palha de aço como adereço de cabelo nas modelos;
O Porta dos Fundos foi processado por “vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”; 
E a mais recente: Emicida sendo alvo de insultos por feministas que interpretaram sua canção "Trepadeira", como machista.

Um idiota pode falar que "Jesus matou John Lennon" e "Caetano fez pacto com o diabo" (conhecido vídeo no Youtube de Feliciano em de seus cultos) e não se pode fazer humor com o nome Jesus, justamente para COMBATER esse tipo de absurdo.
"Faça humor, não faça a guerra". Engraçado, nunca entendi um sem o outro.

Já disse uma vez e repito:
Houve uma época em que a censura no Brasil era feita pelos militares. Eles eram minoria.
Hoje a censura no país é feita pelos imbecis. Eles foram, são e sempre serão, maioria avassaladora.

A ficção só poderá ter limites, quando a VIDA real também tiver.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Auto-Tóchico

Esses dias li um texto, desses que parece auto-ajuda de gente que se machucou pouco quando era criança,  ou trepa no escuro, que dizia algo como "existem pessoas que são arrogantes, invejosas, manipuladoras, egocêntricas, amarguradas, rancorosas, pessoas que não conseguem ver o sucesso ou a felicidade de alguém, que ficam minando todos os seus relacionamentos e blá, blá, blaaaaaa". Ufa! Isso tudo pra falar que EXISTEM PESSOAS TÓXICAS. 
Aí eu pensei: "Eu sou um cara tóxico". Sim, para determinadas pessoas (em especiais as mais conservadoras) eu sou um veneno com caveirinha no rótulo, e no entanto, creio eu que não chegue nem perto dessa "pessoa terrível" que ela criou. Aliás, preciso lembrar que existem muitas pessoas que gostam de mim exatamente do meu "jeito tóxico" de ser. 
Outro exemplo que posso citar é Malafaia. Acho esse cara um perigo ambulante para a humanidade..... mas existem milhares de pessoas que o idolatram. O inverso também. Jesus, hoje inquestionável para grande parte da humanidade, apanhou pra cacete e morreu lá, penduradão na cruz, com toda a "humanidade" olhando, provavelmente por que alguém achou o magrão um ser tóxico.
Será que essa pessoa nunca imaginou que ela pode ser "tóxica" para alguém? O que quero dizer é que o fato de alguém achar isso de outro alguém, não o transforma nisso que ela enxerga. 
Essa mesma pessoa que ela acha isso tudo, pode ser, pra mim, um cara muito bacana. E claro, aquela amiga que ela mais ama eu a acho "arrogante, invejosa, manipuladora e quá quá quá". A gente tem é que parar de jogar a culpa no olho gordo do inimigo e assumir que: Se vc não gosta do cara, não compartilha ideias ou cervejas com o cara,  vc só não gosta e não compartilha ideias ou cerveja com o cara. Só isso!
O que é tóxico pra vc pra mim pode ser Biotônico Fontoura.
O que pode ser lindo, doce e puro pra vc, pra mim pode ser só mais uma frase feita... Algo extremamente tóxica pra mim, rs

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

BOBOS, ROUBOS E ROBÔS

"Então eu soube. Ela se chamava Norma. De normas, vocês sabem, o inferno está cheio" Paulo Leminski

BOBOS, ROUBOS e ROBÔS

Estou naquelas poltronas da saída de emergência dos aviões. Nunca  gostei de sentar aqui por que a poltrona não reclina, e também por que sempre perguntam "se vc não estiver apto a operar ...blá blá blá, vc não deve ficar aí". É claro que não estou apto a isso. Se o avião estiver caindo eu vou é estar gritando e me cagando todo, e não vou conseguir ajudar ninguém. Mas o fato de estar aqui é por que não tinha mais poltronas livres no avião, e por coincidência, as 6 da minha fileira estavam vagas. Sentei em uma delas. Sentei no meio, lugar que também não gosto. Prefiro o corredor, pra poder ir ao banheiro sem incomodar a pessoa ao lado. Mesmo assim nesse meu "habitat" estranho, eu estava aliviado e feliz por estar ali.
Estava feliz por que era um vôo que eu já tinha dado como perdido, e também descobri que somos poucos, muito poucos. Que apesar de sermos minoria, os robôs não estão sós nesse mundo.
Inevitável não pensar em filmes como "Tempos Modernos" do Chaplin, ou "Blade Runner" de Ridley Scott, com o que aconteceu comigo no dia 4 de agosto de 2013 no aeroporto de Curitiba.
Cheguei bem tranquilo no aeroporto, apesar de muito cansado, depois de uma semana de muito traalho. Entrei na fila pra despachar minha imensa mala que fui obrigado a fazer por ter que apresentar 1 evento de 3 dias (em trajes esporte, social e black tie) e mais um show de música, que podia ser do jeito que eu quisesse, mas pra compensar tinha equipamento de som (cabos, instrumentos, pedais, afinador, etc...). Enfim, tinha bastante coisa.
Por ser duas produções diferentes e eu não saber se uma delas ai da não estava confirmada, cada produção acabou comprando suas passagens.
A empresa desse evento, por ser uma grande empresa, comprou a tarifa Top pela flexibilidade de horários e datas (era, ou é, assim que todos pensam). Já a produção do show, mais humilde, comprou com bastante antecedência em uma promoção. Ou seja eu tinha 2 passagens de ida e 2 passagens de volta. 2 de tarifa Top e outra promocional.
Como dizia, estava tranquilo na fila e, como de costume nesse universo televisivo, ouvi um grupo de pessoas comentando sobre eu estar ali. "É aquele cara", "o ator", "o cara da tv", "o motorista", "Stênio", "verdureiro", "sujeito que batia na mulher", "marido da delegada", etc...tudo isso entre risadas, e que depois de um tempo, talvez por alguma boa memória (ajudada por um google) ouvi um "Alexandre", era uma das meninas pedindo para tirar foto comigo, eu, sempre envergonhado, como sou, disse "sim", e quando vou tirar a foto ouço uma senhora dizendo "Mas tem que dar aquele sorrisão que dava na novela". Pronto fiquei mais sem graça e não consegui sorrir, no máximo fiz uma expressão simpática. Passou alguns minutos a mesma senhora começa a falar com 2 outras senhoras que a acompanhavam, num volume suficiente para que eu a ouvisse "Ah, mas ele tinha que sorrir mais", "Lá ele era mais simpático"...."Pô, tinha que dar um sorriso pelo menos", disse ela em bom som, e a minha timidez querendo se transformar em lição de moral e explicar para aquela senhora que aquilo que ela via na tv era um personagem, e que eu estava muito cansado, preocupado com muitas coisas, e que não queria sorrir, principalmente para alguém que acha que eu tenho obrigação de sorrir....mas não o fiz
A atendente do balcão da empresa TAM me chama para o check-in.

AQUI COMEÇA A HISTÓRIA E O MOTIVO DE EU ESTAR SENTADO FELIZ NUMA POLTRONA DA SAÍDA DE EMERGÊNCIA QUE NÃO RECLINA.

Como de praxe dei meu documento e disse: "Rio de Janeiro, 19:30"
Ela procurou e:
"Essa passagem está cancelada"
"Cancelada?"
"Sim. O senhor tem o localizador?"
"Tenho!" Peguei no celular e ditei à ela. 
"O Senhor não fez viajem do Rio pra Curitiba?"
A minha vontade de lhe dizer "Não, eu estou no Rio ainda" foi dominada pelo susto: "Sim, mas não vim com essa passagem, vim com uma outra"
"Ahhh, então deve ser isso. É que quando o senhor não viaja pela passagem comprada de 'ida' o sistema entende que o senhor não veio, e por isso não irá voltar"
(SISTEMA. Essa palavra será repetida muitas vezes). 
"Ah, entendi, mas é que eu vim com outra passagem. Mas irei voltar com essa"
"Perfeitamente senhor, mas como está cancelada, o senhor precisa se dirigir ao outro balcão para remarcar a passagem"
Lá fui eu tranquilamente na minha linda inocência cor-rosa, sem saber do mundo descorado que eu iria encontrar.
Expliquei o caso para o rapaz do balcão, ele atencioso, digitou o seu computador algumas vezes, e disse:
"Senhor, para remarcar a passagem terá que pagar multa, o valor de remarcação e mais a diferença do valor da passagem"
Pronto, foi o suficiente para uma fisgada da boca do estômago e o italianinho, dentro de mim, começar a atuar.
"Meu jovem, essa passagem está marcada. Ela é minha. Eu já paguei por ela (no caso a produção)"
"Sim, mas pelo fato do senhor não ter vindo com a passagem, o sistema cancelou".
"Pois descancele, pois eu estou aqui"
"Sim senhor, mas para que eu possa fazer isso o senhor precisa pagar uma multa, o valor da remarc" corto ele obviamente
"Sim, eu entendi o que vc já havia dito, mas eu não cancelei passagem nenhuma. Quem cancelou foi o sistema. Foi um computador, sem a minha ordem, portanto, não vejo motivo para que eu pague isso. Se alguém tem que pagar é o computador"
Ele não entendeu. Deixei pra lá e fui adiante, pois já estava na hora de embarque
"Quanto custa isso tudo que vc falou" (falei meio nervoso, mas ainda com aquela doce inocência de que vivia num mundo sensato.
"Vai estar custando R$ 557,00" (tá ele não falou "vai estar custando", mas eu quero escrever assim pra zoar com esse filhodaputa)
"O que? 500 pau? O valor de uma passagem nova. Eu vou ter que pagar duas vezes por uma passagem?"
Ele faz aquela cara de quem não sabe o que dizer, mas com a certeza que está certo, afinal é isso que diz o seu computador.
"Eu não vou pagar 500 paus por uma passagem que já foi paga e É MINHA".
"Mas ela foi cancelada"
"MAS NÃO FUI EU QUEM CANCELOU!" (letras maiúsculas = o bicho começou a ficar vermelho e os olhos esbugalhando). "O COMPUTADOR CANCELOU SEM A MINHA ORDEM. SE EU RESOLVI VIR COM OUTRA PASSAGEM, A PÉ, DE JEGUE OU A NADO, NINGUÉM TEM NADA COM ISSO. O SISTEMA NÃO PODE CANCELAR UMA PASSAGEM SÓ POR QUE ELE ACHA QUE EU NÃO ESTOU ONDE ESTOU"
"Vc comprou essa passagem no site(não me trata mais de senhor. Acho isso bom, por que ali são duas pessoas iguais e ninguém mais ou menos que ninguém. Não sou senhor de porra nenhuma), e no site está tudo especificado que isso pode acontecer"
Respiro fundo, fecho os olhos e lembro:
"Ahhhhh, as famosas letrinhas minúsculas nas 143 milhões de palavras que ninguém lê. Malditos! "
Lembro também que não tinha usado a passagem Top, que foi com a que vim pra Curitiba, e que pretendia não usá-la pois sempre ouvi dizer que tem esse nome "TOP" e preço BEM mais alto para que vc tenha a liberdade de mudar facilmente e sem custo extra, horário e dia em caso de urgência. Pois bem, me desapeguei desse "bônus pessoal" para voltar pra casa sem ter que pagar os 500 paus, que achava um abuso.
Dei meu número do localizador da minha passagem TOP-mega-super-power-rangers e.............o moço atendende, depois de algumas típicas tecladas em seu mestre-senhor computador, me informa:
"Essa passagem também tem um adicional"
Eu dei uma risadinha e disse "Mas vcs não perdem uma, hein? De quanto?", perguntei levemente irônico, afinal era uma passagem TOP-mega-super-power-rangers, e claro, deveria ser um adicional de uns míseros 20 ou 50 reais.
"R$ 700,00 senhor". O senhor que havia sumido voltou, junto com minha cara com a cor espanto-rubro.
"O QUE? Essa é uma passagem TOP. As pessoas pagam MUITO MAIS CARO justamente para não ter esse tipo de problema"
"Sim senhor, mas mesmo as passagens top, tem custos para mudanças"
"TÁ, MAS 700 REAIS? É mais cara a mudança da TOP, que é a mais cara, do que a promocional, que eu acabei de perguntar, e que é infinitamente mais barata? Vc está querendo me convencer que a passagem TOP não serve pra nada"
"Serve sim senhor, com ela o senhor não paga o valor de remarcação"
"Mas então como ficou mais cara que a outra?"
"Provavelmente por que a remarcação para a outra já aumentou"
"Mas como AUMENTOU? Vc me disse o valor fazem exatos 4 minutos"
"É...mas é que aumenta"
"É? MAS É QUE AUMENTA? Não pode ser! Eu não posso acreditar. Isso é inadmissível! Nós estamos falando de 4 minutos, que querido!"
Eu falando (esbravejando na verdade) e ele digitando (suando na verdade). Ele para de digitar e solta:
"É, a outra passagem, que não é a top, agora para remarcar tem um custo adicional de R$ 1.100,00. É que o vôo está quase lotado!" (Essa lógica da oferta e da procura pode e talvez deva fazer sentido em um trabalho artesanal, mas num vôo? Me parece incoerente. Se está lotado, já teve lucro e por isso o vôo está pago para a empresa. Se está vazio, é que a passagem deveria ser mais cara.....Mas querer lógica num mundo de quanto mais melhor, é risível)

"-MIIIIIILLLLLLL E CEEEEEEEM? Em 4 minutos ele teve um aumento de CEEEEEEEM POR CENTOOOOOOOOOOOO? VCS ENLOUQUECERAM? Vcs não, eu sei ..... (Olhei no crachá dele e vi o nome) Claudio a culpa não é sua, vc não tem nada com isso, mas para de olhar pra esse computador e olha pra mim", ele olhou "Claudio, eu não quero que vc leia mais esse computador. Não quero que vc me diga o que está escrito aí. Me diga vc. Por favor, o que eu, ou vc, podemos fazer para não fazermos esse absurdo? Vc está me entendendo? Nós, humanos, pensadores, não podemos compactuar com isso. Não faz sentido. Vc me entende? Me ajuda a pensar em algo que possamos fazer para que esse absurdo que o sistema, que o computador, que a empresa, que o abuso constrangedor do capitalismo não nos vença"
O Claudio, que estava suando, cansado da minha cara e não entendendo uma porra de um palavra que eu falava, e me vendo gesticulando mais que um bonecão do posto, com os esbugalhados e uma veia saltada no pescoço, me disse:
"O senhor pode tentar falar com o supervisor José"
Triste! Reparei que ele não entendeu nada. Fui reto e ereto falar com supervisor. Eu estava muito nervoso, mas ainda com a esperança de que falar com um supervisor poderia fazer com que ele compreendesse o absurdo que estava acontecendo. Cheguei meio que de maneira seca e com muita rapidez, pelo nervosismo e receio de perder o vôo:
"Supervisor José! Quem é o supervisor José?" Tinham ali com uniforme da Tam dois homens e uma mulher. Eu encarando o primeiro homem e ele me olhando sem saber o que fazer, "Vc é o José?", a mulher ao lado apontou para o outro homem, que, claro, estava no computador. Ele olhou pra mim, viu que eu já estava um tanto quanto transtornado e eu sem dar tempo de muita coisa pra ele perguntei:
"Vcs trabalham com bom senso aqui, ou apenas repetem o que está no computador?"
"Como?"
"Vcs trabalham com bom senso aqui, ou apenas repetem o que está no computador?"
"O que está acontecendo?"
Expliquei rapidamente:
"Eu estou com um problema. Comprei uma passagem, ela foi cancelada sem a minha ordem, querem me cobrar um absurdo para remarcá-la. Também tenho uma outra passagem TOP que posso usar no lugar dessa, mas também me disseram que terei que pagar um absurdo, por que o sistema entende assim." Respirei e perguntei novamente como fosse uma última chance pra me dizer se ele estava vivo ou eu estava falando com um zumbi:
"-José, eu quero saber se vcs trabalham com bom senso aqui, ou apenas repetem o que está no computador?"
Com os seus subalternos ao redor dele, talvez por se sentir ofendido ou para dar o exemplo de como se deve agir numa situação dessas (se eximir de culpa e que a gente culpe o Deus da Tam por isso), ele foi categórico: "É a norma! É a regra!"
Saí da frente dele antes que terminasse a palavra "regra". "Norma" já era o suficiente pra eu saber que não estava falando com alguém que pensa, que tem atitude, coração, boa vontade e muito menos bom senso. Lembrei da frase de Leminski a caminho do balcão que eu estava pronto e decidido a pagar a diferença. Eu tinha que viajar, pois tinha um compromisso importante no dia seguinte de manhã no Rio. Chegando lá, tinha uma outra pessoa também indignada e endiabrada, assim como eu, por terem tratado mal um cadeirante e não terem lhe dado a devida assistência necessária. O atendente Claudio, já menos nervoso com minha presença, pois a responsabilidade não estava mais com ele e sim com o "supervisor" José, me indicou o balcão principal para que eu fizesse o pagamento lá e o check-in, senão corria o risco de perder o vôo.
Atravesso o saguão olhando pra baixo, com receio de alguém querer tirar foto comigo. Não seria uma boa ideia alguém cruzar comigo naquele momento.
Cheguei no balcão principal da Tam do aeroporto. Na fila, tinham duas pessoas na minha frente, duas pessoas atendendo. Cheguei exaltado e falei alto: "Meu vôo é 19:30", já era 19:05. O atendendo me olhou, viu minha cara virada no demônio e me chamou. Eu perguntei aos dois que estavam na minha frente na fila se o caso deles também era urgente, eles disseram gentilmente (ou com medo da minha expressão) que não, eu agradeci e fui falar com o atendente. EU VOU PEGAR O VOO DAS 19:30 E VOU PAGAR 700 PAUS DE TARIFA EXTRA DA MINHA PASSAGEM TOP DE "TOP, TOP" (sim...fiz o gesto de "top, top" com as mãos, rs). Ele, CLARO, abriu o computador, foi falar com a outra nossa senhora da supervisão, voltou e disse: "O check-in pro vôo das 19:30 já fechou."
Olhei pra ele de um jeito que...que eu teria medo se alguém me olhasse assim e perguntei qual era o próximo vôo. Ele me disse que daqui 50 minutos, mas tinha escala em Guarulhos, onde eu deveria mudar de aeronave e embarcar em outra para o Rio. Uma viagem Curitiba -Rio de 3 horas e meia.


PAUSA
Agora eu estou rindo, mas juro....eu fiquei entre matar alguém da Tam, quebrar todas as instalações da Tam, subir no balcão dançar e cantar.....
Me deu aquele zumbido no ouvido que os esquizofrênicos devem ouvir. Algumas vozes dizendo faz, não faz, faz, não faz....



O que aconteceu foi que, abaixei a cabeça, fechei os olhos, perguntei quanto deveria pagar, ele mexeu na porra do computador, e me respondeu "R$ 200,00". Peguei o cartão e tive uma epifania. Sabe aquele bordão da moda "não é só pelos 20"?. Pois é, eu não estava mais preocupado com o dinheiro. É sério. Eu tenho esse dinheiro, eu tinha os 500, ou os 700. Não é um valor que me faria falta (já teve um tempo que sim, eu teria que sair do aeroporto e voltar de ônibus, mas não era mais o caso). Eu estava mesmo querendo saber se um homem poderia lutar contra um sistema. Se o ser humano poderia ser melhor que um computador. Contra um absurdo. Sei lá, coisa de imbecil tipo adolescente. Tipo dom Quixote. Com o cartão na mão eu falei, calmo (pelo menos na aparência):
"Eu queria saber se posso falar com uma pessoa?"
Claro, o atendente, não "entendente", não entendeu.
Reformulei:
"Eu quero falar com alguém que não seja um robô. Tem alguém aqui, ou só consigo falar com computadores programados?"
"O que aconteceu senhor?"
"Aconteceu que eu tentei falar com pessoas e só consegui falar com robôs"
"O que o senhor quer dizer com isso?"
Olhei seu crachá, um nome estranho, e já havia sentido um leve sotaque espanhol.
"Rafuro, vc é uma pessoa ou um robô?" (Tá, eu escrevendo isso agora tô dando risada, como eu sou imbecil, maluco de pedra. O que o cara, que não estava entendendo nada devia estar pensando?)
"Eu posso ajudar em algo?"
"Não sei Rafuro. Se vc for robô não adianta." Agora eu, o que tinha ganhado de tempo para embarcar e tinha perdido de "filtro social", ahahah. Eu dei uma pirada mesmo, e gostei disso. 
Comecei a contar a história toda, em voz alta, para que todos pudessem ouvir, a supervisora, as outras empresas, as pessoas em geral que deviam estar pensando que era uma performance teatral ou o ator de tv que acha que deve ser tratado melhor do que os outros só por que ele é "famoso". "Estrelinha metido" alguns deviam estar falando. Se fosse no Rio já teria saído em algum site ridículo "BAPHO:'Alexandre Nero faz escândalo em aeroporto".
Continuei:
"UMA PESSOA RAFURO" ele foi afundando na cadeira, e eu disse, olhando bem o crachá dele "RAFURO, NÃO TENHO NADA CONTRA VC. VC NÃO TEM CULPA. ENTENDA POR FAVOR, NÃO ESTOU BRIGANDO COM VC, EU ESTOU BRIGANDO COM ESSE MUNDO DE MERDA QUE A GENTE ESTÁ VIVENDO ONDE SÓ SABEMOS REPETIR, REPETIR E NÃO SABEMOS MAIS PENSAR. ALGUM FILHO DA PUTA ESTÁ GANHANDO MUITO DINHEIRO NAS MINHAS COSTAS, NAS SUAS COSTAS E NÓS NÃO PODEMOS FAZER NADA. NADA! NADAAAAAA! NÓS SOMOS REFÉNS, E ISSO INCLUE VC RAFURO. VC TAMBÉM É UM ROBÔ, e eu fico triste por vc.
.... e por mim, por não conseguir aceitar o que fizeram com as pessoas. 

Em filmes e livros de ficção científica sempre disseram que os robôs dominariam os homens. Inocentemente nós hoje achamos que não, por que robôs são feitos de ferro, aço e parafusos, mas nos enganamos. O robôs são muito mais modernos do que os da ficção dos livros e filmes. Eles são feitos de carne, osso, e por incrível que possa parecer, tem sangue correndo nas veias.
Eles só repetem o que um computador lhes informa, e não tem mais nada a acrescentar a não ser "são as normas".
Prestem atenção no algo mais que tento dizer aqui. É raso pensar que estou falando somente da TAM. NÃO! Estou falando de todas elas, todas as empresas que colocam "robôs" para trabalhar....TODAS elas!
Fui desolado e MUITO enfurecido para a sala de embarque. No caminho cruzei com aquela senhora (lembram? Aquela que falava para eu "dar um sorriso?"). Aquela senhora, aos meus olhos naquele momento, tinha se transformado numa VELHAFILHADAPUTA, e eu olhei pra ela, olho no olho, quase que implorando que ela me pedisse para dar um sorriso. Hoje, dando risada e calmo, eu agradeço ela ter tido medo da minha cara, ter desviado o olhar de mim e não falar nada.

A MELHOR PARTE VEM AGORA

Quando tudo parecia perdido (não a minha passagem, nem o dinheiro, mas sim a humanidade dominada por robôs), eu paro em frente ao portão de embarque número 2, que era o que o meu bilhete informava. Vi escrito "Destino - Rio de Janeiro".
Olhei o número do vôo, mas não era o mesmo. Achei estranho e fui perguntar (agora sem epifanias, rs).
"Por favor, esse vôo é para o Rio, com conexão em Guarulhos?"
"Não esse vai direto para o Rio. O senhor quer ir para Guarulhos?"
"Não eu vou para o Rio, mas perdi o......" Olhei o horário do vôo e era 19:30 (dei uma risadinha sarcástica pra mim mesmo do tipo que tem certeza que se existe um Deus ele deve ser um sacana muito do bem humorado). Eu disse para o rapaz "Eu vou para o Rio, mas me mandaram nesse com escala por que disseram que eu tinha perdido justamente esse vôo das 19:30"
"Posso ver sua passagem senhor?" Ele pegou, viu que eu tinha uma bagagem despachada e já saiu no rádio falando "Jorge, vc pode localizar uma bagagem de número tal para o vôo de número tal?" 
"Como é a sua bagagem?" Ele me perguntou
"Uma mala bem grande, azul escura"
Ele repetiu no rádio. Me deu a passagem e disse "se encontrarem a sua bagagem, talvez eu consiga te colocar nesse vôo"
Fiquei emocionado. Mesmo! Ele não tinha computador. Ele não era um robô. Ele era um ser pensante. A empresa não conseguiu transformar todos em robôs, e isso me deixou mesmo emocionado. 
Olhei bem pra ele e disse "MUITO OBRIGADO"
Ele disse: "Não posso garantir que o senhor possa pegar esse vôo. Só se acharem a sua bagagem, pois não posso colocá-lo num vôo e sua bagagem estar em outro"
Eu enfatizei o meu agradecimento: "Muito obrigado pela TENTATIVA. PELA SUA INICIATIVA"
Ele não deve ter entendido a minha enorme gratidão, afinal ele não era computador e não poderia saber o que havia acontecido no SISTEMA.
Eu estava feliz! Não me importava mesmo se ele teria sucesso na sua iniciativa. Isso era pouco importante. Fiquei feliz por saber que existem humanos ainda. Não estou falando de humanidade ou gentileza. NÃO! Isso é importante, mas NÃO BASTA! É preciso não ter sido contagiado pelas regras. Pelas NORMAS!
Ele voltou, e para minha alegria pegou minha passagem, foi me levando para o embarque, enquanto confirmava meu nome e número da bagagem. 
"Boa viagem!", ele disse.
Eu queria dar um abraço nele, do tipo "Cara, estamos vivos. Vc é um ser vivo! Existe mais gente como eu. Somos poucos, sem dúvida, minoria avassaladora, mas ainda existimos".
Mas foi apenas um "OBRIGADO MESMO. VC FOI MUITO COMPETENTE!". Nesse momento me pareceu que ele entendeu melhor meu agradecimento, pois ele deu um sorriso bom, daqueles que se enchem de orgulho. 
Entrei no avião. Estava cheio, mas não lotado. Ainda haviam 6 poltronas vazias. Eu fiquei em uma delas e comecei a escrever esse texto. Eu estava feliz novamente!

Citei nome de todos, menos do que não era robô. Sei o nome dele, mas vou contar.
Claro que me veio a ideia de escrever uma para a Tam elogiando o rapaz, e agradecendo a extrema competência, bom senso e iniciativa com que ele tratou o meu caso. Mas me pergunto: Competência e bom senso pra quem? Pra mim, sim não há dúvidas, mas para um empresa que trata gente como número, e transformam humanos em robôs, ele é o que essas empresas chamariam de "incompetente", por que traiu a norma. Depois da minha carta elogiando a iniciativa do rapaz, acredito que os robôs seriam promovidos e/ou elogiados pela empresa, e o rapaz seria demitido.
Se vc não for um robô, quando descobrir um ser humano misturado entre os robôs, não conte pra ninguém. Guarde pra si. Isso deve ser segredo nosso, pois os humanos estão sendo caçados diariamente para serem jogados na fogueira, até que sobrem apenas robôs.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Deus está em coma induzido

Papa passou por aqui, uns idolatram, uns acham fofo, outros abominam e alguns estão preocupados que o craque do time deles não vai jogar a próxima partida.
Uns dizem que é melhor ser um jovem religioso do que ser um jovem se drogando, outros dizem que é a mesma coisa, pois é só uma outra maneira de fugir da realidade
A polícia ataca os manifestantes, uns acham absurdo, pois vivemos numa democracia e temos o direito de protestar, alguns se divorciam, uns de apaixonam e outros acham que a polícia deve mesmo atirar pra matar, pois não são manifestantes, e sim bandidos
Uns dizem que são infiltrados do governo para dar o aval para policiais poderem atirar nos manifestantes, outros dizem que infiltrado é coisa de conspiração barata e aqueles senhores acham muito difícil pronunciar a palavra "impermeabilização"
Uns torcem para ver a neve, uns morrem de frio nas cidades do sul, alguns compraram aquecedores, outros tem fome no nordeste, e aquelas senhoras acham que engordaram no último mês
Aqueles não acreditam na imprensa tradicional, os outros só sabem o que acontece no mundo através do JN, e aquele grupo acredita que cada vez que se compartilhar aquele post, um real será doado para os elefantes brancos de unha azul da África Central
Aquela moça sai na rua de peito de fora pra protestar contra o machismo, aquele sujeito adora ver os peitos das moças, aquela mulher pede pro cara foder com força e dar porrada nela, e aquela outra não tem coragem de denunciar o marido que a espanca
Aquele cara faz piada com religião, aquele faz com o negro, aquele com o gay, aquele que ama como o Papa fala sobre amor mas odeia o cara que gosta de fazer piada com religiosos, negros e gays. O Papa enfrenta a igreja e diz que "se o gay busca Deus, ninguém pode julgá-lo". Agora o gay ateu se sente discriminado. Aquele judeu sofreu com o nazismo e agora aquele negro não é bem visto por aquele judeu.
Aquela moça acha que o cara não quer comer ela por que ele é gay, o gay acha que o mundo é gay, aquele sujeito acha que comer frango com garfo e faca é gay, o senhor de chapéu acha que dois homens se beijando é coisa de viado, a senhora chama as vadias de vadias na marcha das vadias. As vadias chamam a carola de carola na marcha das carolas. O caralho da criança fica duro na frente da carola quando olha a vadia. "Pedofilia!", grita a carola que olha o caralho. Esse senhor sonha que trepou com mãe, mas não se lembra disso. Só o amor constrói, e quem não concordar comigo enfio uma dinamite no-cu-do-filho-da-puta-do-caralho.
A menina que nunca te viu na vida acha que a opinião dela sobre vc é importante pra vc, afinal quem mandou ser artista? Artista é uma pessoa pública, diferente de um funcionário público que não é pessoa pública. A imprensa publica o que ela quer há mais de mil anos, o menino japonês-ninja descobriu isso e é contra essa imprensa. Ele acusa o presidente da república de ser corrupto por que leu o que a imprensa publicou. O jornaleiro não sabe ler.
O sujeito bonito diz que ninguém percebe seu talento por que ele é bonito, aquele outro sujeito lindo não tem talento. A garota fez o teste do sofá com o diretor. O menino feio que quer ser ator, mas trabalha na loja da C&A por que não tem talento, diz que odeia tv e só quer fazer teatro. O teatro está fechado por falta de estrutura. Aquele se acha ator especialmente talentoso por que faz novela na tv e cinema. Aqueles dois se conheceram no teste do sofá...
.....aquela garota que fez o teste do sofá, não passou.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

ESQUEMA é um bom tema para um

poema mas o problema é que a vida não é cinema, é só teorema...e aí fica o grande dilema:  Fico em casa comendo mingauzinho de Cremogema e omelete sem gema, ou vou pra Ipanema, misturar whisky  com alfazema, fumar até estourar o enfisema e acabar com algema numa cama cheio de edema?
Se quiserem dar vexame, virar notícia no Datena não se esprema, me dê um telefonema que iremos eu a Jurema, a Ana e o Zema. 
Não trema, a gente entra no esquema. 
Se tudo der errado, esse é o meu lema, a gente pula num barco e rema, rema, rema...por que essa porra de fonema não tem rima.

terça-feira, 16 de julho de 2013

COM FUSÃO

poema oral bem acondicionado
derrete gelo duro em água mole
no canto da boca
um fio de leite condensado.
cospe ou engole?

terça-feira, 2 de julho de 2013

TORTOGRAFIA


Cansado dos corretos
dos que promulgam o exato com indubitáveis certezas 

Revolução dos vis 
convidados vips
Buarques, Baluartes de Holanda a Paris

Procuro tropeçar "degrais"
Perder pra "campeãos"
Desejar anais, não anis 
DESREGRAIS

Se a vida te der "limãos" amamente as mães
Ameie os mamões
amacie as mãos de uma puta
Por que quem ama é duca

Busco acertar na tortografia 
No Engano
No Equívoco
Na Imprecisão 
No Experimento
No Excremento 
No Maculado 
No Amarelado
No Estragado
Desalgemado 


Se são estes os sãos que proclamam o que é certo
Prefiro continuar o doente que fica sustentando o que é errado

sábado, 1 de junho de 2013


tenho defeitos feios demais, talvez problemas mentais e saiba desde já, vim declarar que podem não ser pequenos. tenho poemas ao menos. quer amar alguém ou a mim? assado não, de carne e osso, assim. réu confesso e inocente; estuprei Anaïs Nin, sou o corpo delito e o delinquente "os cabarés me excitam quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar-me em corpos, beber um Benedictine ardente"
corpo docente, mente indecente, não quero papas na língua, quero paladar
palavra na ponta da língua: clitóris
penetro ouvidos, ou olhos, olfatos, os vários úteros, adúltero, amorífero, efêmero feromônio, fetichista, bacanal, grupal, oral com halls, ejaculação feminina, esperma como fonte de proteína. "me masturbo frequentemente, com luxúria, sem remorso" (por onde andará Nina Hartley?)
(Será que Henry enrabou Anaïs?)
"Quero dançar. Quero drogas. 
Conhecer pessoas perversas, ser íntima delas...
...Quero morder a vida e ser despedaçada por ela"