quinta-feira, 18 de setembro de 2014

APARTE

Artista não sobrevive de arte. Artista morre de arte.
O câncer, a aids, a diabetes, a gripe não são suas doenças incuráveis, e sim, os únicos recursos, pois a morte, e somente ela, pode livra-los da única doença incurável do artista. A arte!
Não tente explicar isso para um não-artista. Os não-artistas sãos são. Não sabem que doença é essa, e o que não se sabe, sabemos, não existe. 
Artista não é quem vive de arte. Artista é quem morre de arte.
Um não-artista sabe sobreviver de arte. 
Já a arte do artista, é sobre viver.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014


a vida lhe prega peças
lhes arromba as pregas
lhe roga sete mil pragas, e apesar dos pesares fazes as preces diárias
fazes as pazes com ela

rega-lhe com regalo as flores
retira-lhe todos os pregos
processa tudo que pecas 
nutri a alma com fósseis
caminha por becos mais fáceis
transmitindo a raiva nas fezes pelo esgoto esgotado de mundo

sábado, 3 de maio de 2014

O vômito não é o miojo entalado, a carne putrefata. É o excesso do que não.
O vômito tem gosto de alívio.
Nada mais do que aquilo que não mais cabe em ti
O som do golfar, expelir, verter é o som de quem ouve mágoa , mas o saboroso gosto de quem vomita é molesta cessa, livre daquilo que o oprime.
Na verdade um gosto amargo no início, bílis, a sensação de que aquilo nunca será possível...Mas é por estar lotado, esgotado, por bebido mais do que devia e engolir mais sapos do que podia, vomita.

Não devemos temer ou nausear o vômito. Orgulho é o que sinto, quando aquele gosto de ácido clorídrico se apregoa na minha garganta. Sinto-me livre sem ter a obrigação de beijar alguém.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Tem vezes que uma bunda é o que menos importa........tem vezes que não ;)

JORNAL DO DIA  manchete:
O DIA QUE O BRASILEIRO DESCOBRIU QUE O ATOR PERNAMBUCANO ERA CEARENSE


66, 67, 68 ou 69. Hoje pairou a dúvida de quantos anos tinha o ator José Wilker. Muitas discussões e por vezes até ataques a alguns órgãos da Imprensa. Ontem postei um texto, que aliás me saiu naturalmente, e assim o escrevi com a velocidade típica da histeria internética. Escrevi não por que queria parecer um sujeito bacana, e nem para parecer um bom colega, nem quis "homenagens póstumas" e muito menos para aparecer em algum blog ou revista com as machetes: "celebriades falam sobre ..." (Até quem não me conhece, mas já me segue algum tempo sabe que não me encaixo nisso).
No meio do texto eu dizia que Wilker, assim como meu futuro personagem, era PERNAMBUCANO. Foi um ato falho? Sim, foi. E depois muitas, muitas, centenas, milhões de correções, fui pesquisar e descobri que ele era cearense, nascido em Juazeiro, mas foi criança para Recife, e foi em Pernambuco que estudou e fez teatro. Acabei descobrindo algumas entrevista (para frustração bairrista de alguns cearenses) onde ele mesmo se colocava como pernambucano. Por algum motivo, que não nos interessa,  negou o Ceará como seu estado de origem. Coisas que só pertencem a nós mesmos. Assim como eu também nego, escondo, ou não destaco, algumas coisas da minha vida, mesmo tendo passado por elas.
Mas por que falo disso?
Por que talvez estejamos cometendo um grande equívoco nessas nossas "CORREÇÕES".
Tenho a sensação que poderei me deparar com una atitude do tipo, se alguém postasse:
"-Muito triste! Acabo de descobrir que meu filho está com leusemia", alguém logo irá comentar que se escreve "leuCEmia, com C". Estamos perdendo tempo com o que NÃO IMPORTA.

 Talvez estejamos cometendo o mesmo erro que o Facebook, Instagram, Igrejas e famílias tradicionais, quando ARRANCARAM, CENSURARAM, PROIBIRAM a minha postagem da foto de "DONA FLOR E
SEUS DOIS MARIDOS" quando Vadinho, Flor e Teodoro descem abraçados no pelourinho. Uma das mais belas cenas do cinema feito no Brasil, uma das mais belas cenas da cinematografia mundial. Não viram , ou não sabem, que aquela cena não era apenas uma bunda. Era muito mais.
66,67,68,69, Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, russo, português, espanhol, bunda, pinto, peito, sexo. Será que estamos olhando para o que realmente importa?
UMA BUNDA! É mesmo a coisa que mais importa nessa cena?
O epílogo do texto Dona Flor passa a desfrutar do amor dos dois maridos. Passeando em Salvador então, abraçada ao espírito e à “matéria”, Flor renasce feliz esposa e mulher. No rol deste contexto, a cena nos sugere apenas uma alternativa: Acreditarmos serem os três personagens não vistos integralmente, apenas o sistemático e dedicado, Teodoro e a prendada e honesta, Dona Flor. Portanto, Vadinho, o travesso, indecente e matreiro é incapaz de ser visto aos olhos da sociedade que passeia junto ao harmonioso casal.
Isso nos traduz a existência de uma falsa moralidade que se esconde atrás dos véus da honra e decência; uma sociedade que consegue enxergar e aceitar somente posicionamentos que sublinham a honra e o brio humano.
Temos aqui dois sistemas nivelados no mesmo contexto: uma hierarquia que é obedecida e acolhida, sem recusa, sob matizes hipócritas, fato caracterizado por Flor e Teodoro. Por outro lado, vemos uma anarquia impossibilitada de ser vista, encoberta aos olhos dos homens que não a querem ver, tampouco aceitá-la no seio social; anarquia que existe desde as vésperas da colonização de nossa nação e que se prolonga escondida e ignorada sob a sombra de uma sociedade capaz de aceitar somente o que é regrado e que está dentro dos limites.
Dona Flor no romance revela, sem dúvida, os dois fatores – hierarquia e anarquia - de feições opostas que andam juntas.

 Será que estamos olhando para o que realmente importa?



Ps: Claro, não faltaram chatos querendo atribuir seu "bairrismo" (palavra que me amedronta) usando o argumento de que Jorge Amado, autor que nasceu, cresceu, respirou, transpirou, viveu, e escreveu sua Bahia.



http://www.youtube.com/user/AlexNeroClipes

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Apetite de apartamento
Preciso te ver 
peladinha como deus te concebeu.

Ps: combinamos no teu app ou no meu?